Mercado brasileiro pede sequências de comédias, dizem diretores

Publicado: 10 de fevereiro de 2013 em cinema
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Classe C está indo mais ao cinema, afirma diretor-geral da Paris Filmes.
‘Até que a sorte nos separe 2’ e ‘De pernas pro ar 3’ estão confirmadas.

Letícia Mendes Do G1, em São Paulo

As comédias foram o destaque no cinema brasileiro em 2012. De acordo com o portal Filme B, que monitora o mercado cinematográfico, elas ocupam seis posições no top ten nacional do período. Mas a consolidação – e os bons resultados – do gênero aponta para um novo prognóstico: as sequências das produções do filão devem dominar as próximas temporadas. É essa a opinião de cineastas, produtores, distribuidores e exibidores ouvidos pelo G1.

Ingrid Guimarães e Maria Paula nas filmagens da comédia 'De pernas pro ar 2' (Foto: Divulgação)Ingrid Guimarães e Maria Paula filmam a comédia ‘De pernas pro ar 2’ em Nova York (Foto: Divulgação)

Diretor do filme “De pernas pro ar 2” – que estreou no último final de semana do ano e, em apenas um mês, alcançou 4 milhões de espectadores –, Roberto Santucci avalia que o Brasil “pede continuações”. Ele também dirige o líder de 2012, “Até que a sorte nos separe”. Estrelado por Leandro Hassum e Danielle Winits, o longa, em cerca de quatro meses, atraiu mais de 3,4 milhões de espectadores, com renda de R$ 34 milhões. Não por acaso, já se planeja uma sequência.

Márcio Fraccaroli, diretor-geral da Paris Filmes, falou ao G1 sobre a aposta da distribuidora, que fechou o ano de 2012 na liderança do setor no gênero. “Há três anos, nós percebemos que a classe C estava indo cada dia mais no cinema. A Paris tomou a decisão de apostar em filmes populares, o que não significa mal feito, e teve a felicidade de fazer ‘De pernas pro ar’, ‘E aí, comeu?’, ‘Muita calma nessa hora’, ‘Até que a sorte nos separe’. Esses projetos tiveram êxito e resolvemos replicar”, afirma Fraccaroli, que também conta que irá trabalhar em “Cilada: Em férias”, continuação de “Cilada.com”, e em “De pernas pro ar 3”. “No caso das comédias, é mais fácil continuar porque são histórias que podem acontecer em qualquer lugar e momento. Ingrid, Hassum e Mazzeo emplacaram no cinema”, diz.

Além dos filmes já citados acima, também estão em produção “E aí, comeu? 2” e “Muita calma nessa hora 2”, de Felipe Joffily; “Casa da Mãe Joana 2”, de Hugo Carvana; “Qualquer gato vira-lata 2”, de Tomás Portella; e “Onde está a felicidade 2”, de Carlos Alberto Riccelli.

A produtora Mariza Leão conta que “De pernas pro ar 2” surgiu depois que a primeira parte fez um sucesso inesperado com o público, sendo o filme brasileiro mais visto em 2011. “É um projeto arriscado, do ponto de vista do mercado, por lidar com a questão da sexualidade, mas vimos que a história poderia e merecia continuar. O sinal que a Maria Paula dá no primeiro filme, de que tem um pessoal nos EUA querendo negociar, surgiu naturalmente”, afirma.

Mariza contratou uma produtora norte-americana e levou do Brasil o diretor de fotografia, maquiador, assistente de direção, produtor executivo e os atores Ingrid Guimarães, Maria Paula, Eduardo Mello e Bruno Garcia, para oito dias de filmagens. Quanto ao “De pernas pro ar 3” levar a personagem Alice para um passeio em Paris, na França, a produtora afirma que não há nada resolvido e que ainda está “colhendo os frutos” do segundo filme, lançado há um mês.

Lógica de mercado
Roberto Santucci conta que “Até que a sorte nos separe” já tem uma sequência em desenvolvimento. “Voltamos de uma viagem a Las Vegas, onde escolhemos as locações. Mas, para a produção começar, dependemos da agenda dos atores, que estão envolvidos em outros trabalhos”, explica. No momento, o cineasta está finalizando outra comédia, “Dia dos namorados”, que trará Heloisa Périssé e Daniel Boaventura para as telonas.

Leandro Hassum e Danielle Winits em ação durante cena do longa 'Até que a sorte nos separe', comédia dirigida por Roberto Santucci (Foto: Divulgação)Leandro Hassum e Danielle Winits em ‘Até que a
sorte nos separe’ (Foto: Divulgação)

Assim como outros profissionais da área, o cineasta Tomás Portella não imaginava de início uma sequência de “Qualquer gato vira-lata”, mas não descartou a ideia. “O final do primeiro filme deixa bem em aberto para um possível segundo episódio. Decidimos esperar a reação do público antes de decidir pela sequência”, diz. Segundo o diretor, Cleo Pires e Malvino Salvador voltarão como os protagonistas do segundo filme que, mesmo sendo baseado na peça homônima de Juca de Oliveira, promete trazer uma história mais madura, com novos conflitos. Desta vez, Tati (Cleo) não está mais na faculdade e começa o filme morando junto com o personagem Conrado (Malvino). “Não podemos abrir mão de atores tão talentosos como nosso elenco original, o sucesso do ‘Qualquer gato’ está intimamente ligado à participação deles no filme”, afirma Portella.

Já o cineasta carioca Felipe Joffily está trabalhando em duas sequências, “Muita calma nessa hora 2” e “E aí, comeu? 2”. Ele reitera que, no Brasil, os filmes não são pensados inicialmente como trilogias. “Essas sequências acontecem em virtude de alguma marca de sucesso estabelecida pelos distribuidores. É uma referência que eles têm na hora de apostar no próximo filme”. Joffily conta que “Muita calma nessa hora 2”, que entrará em fase de pré-produção no fim de fevereiro, contará com as quatro protagonistas da trama anterior, vividas por Andréia Horta, Gianne Albertoni, Fernanda Souza e Débora Lamm. As mesmas personagens aparecerão em novas histórias que se passam no Rio de Janeiro.

O comediante Bruno Mazzeo e os atores Marcos Palmeira e Emilio Orciollo Netto estão no longa (Foto: Divulgação)Emilio Orciollo Netto, Marcos Palmeira e Bruno Mazzeo protagonizam o longa ‘E aí, comeu?’ (Foto: Divulgação)

A sequência “E aí, comeu? 2”, por sua vez, ainda está nas mãos dos produtores, segundo o diretor. “Por causa do sucesso, existe a possibilidade de desenvolver algo em cima do tema, existe a ideia”. Para Joffily, é uma tendência natural do mercado de blockbusters que as sequências se multipliquem. “É uma lógica de mercado e de desenvolvimento de marca. Há uma relação direta com o sucesso comercial. O filme se amplia se agrada o público”, diz. Além de uma continuação no cinema, “E aí, comeu?” deve ganhar uma outra versão para a TV, com “novas histórias e novos personagens”, afirma o diretor.

Paulo Celso Lui, presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Feneec), acredita que o público que vai ao cinema ver filme brasileiro em 2013 deverá aumentar de 15 a 25% em relação a 2012. “Comédias, sejam elas nacionais ou estrangeiras, normalmente possuem grande apelo junto ao público, por ser um gênero leve, palatável e que diverte, além de adequado a quase todas as faixas etárias”, afirma Lui.

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